Os soldados que se apaixonaram em plena guerra do Iraque


O primeiro beijo de Nayyef Hrebid e Btoo Allami aconteceu num estacionamento de veículos militares em 2003, em plena guerra do Iraque. Nayyef trabalhava como intérprete do exército americano e Btoo era um soldado iraquiano. Antes do beijo acontecer, muitos olhares foram trocados e muita vontade foi deixada em segundo plano. ''No Iraque, ser gay é considerado algo muito errado e traz vergonha para a sua família. Você pode até ser morto'', disse Hrebid ao correspondente Júlio Farias, do Boas Escolhas Inc. nos EUA.

Depois do beijo secreto os dois passaram a conviver cada vez mais. ''Nas missões, eu tentava ficar perto dele, embora devesse estar com os americanos. Caminhávamos juntos e tiramos algumas fotografias", contou Nayyef. Mas a discrição não foi suficiente e os colegas dos exércitos americano e iraquiano começaram a desconfiar da proximidade dos dois. Quando um dos tradutores que trabalhava com Nayyef descobriu a relação dos dois, espancou Nayyef com um pedaço de pau e quebrou seu braço.

Apesar das dificuldades e das perseguições, Btoo e Nayyef permaneceram juntos enquanto estiveram na guerra. Em 2009, seis anos depois de começarem a se relacionar em segredo, Hrebid decidiu pedir asilo ao governo americano por causa de seus anos de serviço prestado ao exército. ''Pensei que, se eu fosse, seria fácil convidar Btoo para vir depois....'', contou Hrebid.


O pedido de Nayyef foi aceito e ele se mudou para Washington. No entanto, o governo americano recusou várias vezes o pedido de Btoo. Enquanto Btoo tentava ir para os Estados Unidos, sua família descobriu sua homossexualidade e começou a pressioná-lo para que se casasse com uma mulher. A solução foi fugir para o Líbano enquanto esperava pelo milagre de poder entrar na América. ''Não foi uma decisão fácil, tinha um contrato de 25 anos com o Exército e era o único suporte financeiro da minha família. Mas eu sabia que tinha de ficar com Nayyef'', contou Allami.

Apesar das dificuldades, a história teve um final feliz. Após várias tentativas, Btoo foi aceito pelo governo canadense como refugiado em 2013. Como Nayyef morava próximo à fronteira, os dois puderam finalmente se ver aos finais de semana. O caminho para os EUA ficou mais fácil a partir daí.

Em março de 2015 o governo americano finalmente aprovou Allami como imigrante. Ele e Nayyef puderam se casar em Seattle, 12 anos depois daquele primeiro beijo. "Foi o dia mais feliz da minha vida'', comemorou Hrebid.



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